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Misses do Brasil
Maria José Cardoso Miss Brasil 1956 II













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Maria José Cardoso era uma garota modesta de Porto Alegre, moradora do bairro Petrópolis e estudante do Instituto de Belas Artes, teve sua vida modificada de uma hora para outra quando descobriram que era bonita. Ela ficou conhecida em 1955, quando ganhou o concurso A Mais Bela Gaúcha cujo prêmio maior era uma viagem a New York.

Em 1956, foi convidada pelo Petrópolis Tênis Club (o mesmo que anos mais tarde lançaria Jane Bezerra) para concorrer ao Miss Porto Alegre. As vitórias foram acontecendo: Miss Rio Grande do Sul e Miss Brasil.

O rosto de Maria José era estonteante: uma morena de olhos azuis esverdeados, 21 anos de idade, cabelos castanhos escuros, 1,70m de altura, pesando 59 quilos, 95cm de busto, 60cm de cintura e 96cm de quadril. Se a beleza lhe era um traço forte, no Miss Universo, Maria José foi prejudicada pela timidez.

Miss Brasil 1956 Maria José Cardoso

EXTRATO DA MATERIA DE CARLOS GASPAR (O CRUZEIRO, nº41, Ano XXVIII)

 

Ser candidata a Miss Universo e vir a New York para uma ´pre­miêre´ do concurso de Long Beach representa antes de tudo um sacrifício. Que o diga a nossa patrícia Maria José Cardoso. Eis a primeira parte do programa que ela cumpriu e as atribulações que sofreu: a coisa começou já no aeroporto de Idlewild. Ao desembarcar do Super G Cons­tellation da VARIG, que a conduziu do Rio de Janeiro a New York, numa viagem tranqüila, com escalas em Belém (às 0.50 li) e Ciudad Trujillo (8.10), Maria José foi conduzida até a sala de imprensa do Aeroporto. Esperava, certamente, que ali tivesse de responder a um milhão.

de perguntas de repórteres indiscretos, enquanto os fotógrafos iriam relampejando os seus ´flashes´. Não previra o pior. Nesta época de Marilyn Monroe e Anita Ekberg (esta, aliás, estivera horas antes no mesmo aeroporto), o público americano só se interessa por fotos indiscretas. Fizeram a jovem representante do Brasil sentar-se e logo os fotógrafos, não contentes com a pose realmente glamourosa da nossa Miss, aproximaram-se dela e, aos gritos, exigiram que ela levantasse o vestido e mostrasse (pelo menos) os joelhos. Maria José a princípio não entendeu e aborreceu-se por isso. Quando lhe explicaram, em bom português, o que estava havendo, aborreceu-se ainda mais. Não queria levantar o vestido, embora não pretendesse criar quaisquer embaraços à atividade dos profissionais da imprensa. Mas não adiantava. Sem joelhos à mostra, a turma não fotografaria. Miss. Brasil teve um princípio de choro. Depois, extremamente nervosa, nem notou quando um representante do Daily News, ergueu-lhe a saia cinco centímetros acima dos joelhos e todos os ´flashes´ espoucaram ao mesmo tempo.

Maria José saiu daquela refrega como quem escapa de um terremoto. Sua crise nervosa manifestou-se no abatimento geral, nos suores frios, nas lagrimas que chegavam aos olhos sem qualquer contração facial. A Cônsul do Brasil em New York, Dora Vasconcelos, socorreu-a nesse transe. Zezé, a modesta estudante de artes plásticas em Porto Alegre, não estava positivamente preparada para tais percalços da glória.

Depois, foi à exaustão do programa organizado pelos promotores do concurso, os ´maillots´ Catalina´ e a Universal International. No dia seguinte ao da chegada, Maria José e as outras misses tiveram que levantar da cama, à força, às quatro da madrugada. Objetivo: um programa de televisão que só começaria às 7, mas que exigia um ensaio antes das 6. Seguiram-se recepções, almoços, festas. E Miss Brasil, em qualquer desses eventos, não repetiu um só vestido. Seus modelos de ´Or­gandy Paramount´, aliás, fizeram sucesso.

O ponto alto - no que diz respeito ao interesse público - do programa das candidatas a Miss Universo, em New York, foi o desfile realizado na famosa loja ´Macys´, a maior e a mais confusa do mundo. O desfile foi organizado na base do programa de auditório, tendo a animá-lo os popularíssimos comediantes Dean Martin e Jerry Lewis. O primeiro nada fez senão beijar as moças e segurar o microfone, sem falar.  Jerry Lewis ajuntou duas dúzias de piadas terríveis, que, inexplicavelmente para nós, fizeram rir as centenas de pessoas presentes. Com Miss Brasil, Jerry não pôde dialogar, porque a nossa representante não fala uma palavra de inglês. E ele muito menos o português, com a agravante de haver demonstrado, depois, ignorar   completamente a língua que se falava em nosso País. Isso sucedeu quando Miss Cuba se ofereceu para servir de intérprete. Jerry perguntou:

- Ah, você sabe falar brasileiro?

- Não, mas falo espanhol, que é parecido com o português.

- Mas ela não é nem espanhola nem portuguesa, meu bem.

E o auditório caiu na gargalhada (!)

Depois, o cômico virou-se para Miss Brasil e disse-lhe:

Não importa que você não fale inglês. Contanto que, logo mais, me pague um café.

E o público riu com estrépito.

Chegou, então, o instante do desfile de Maria José. Ela levava a faixa que recebera na noite de 16 de junho, em Quitandinha, aquela faixa verde-e-amarela, com as armas da República embaixo. Jerry, vendo-a de costas, perguntou em altos brados:

- What kind of mess does she use in her back?

E o auditório veio abaixo.

Todavia, mesmo prejudicada pela falta de conhecimento do inglês e pelas anedotas sem graça de Jerry Lewis, Miss Brasil fez sucesso. Foi das mais aplaudidas e permaneceu durante todo o desfile com um sorriso nos lábios e sorriso de moça bonita, para o público americano, tem um valor inestimável.

 

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Infelizmente, o traje de Miss Brasil não fez sucesso, pois pretendendo ser de gaúcha, parecia o de uma de nossas festas de São João. E o seu presente, uma rica cuia de chimarrão, com bomba, não teve o valor que merecia, porque Miss Brasil, não sabendo falar inglês, e não tendo quem lhe servisse de intérprete, não pode explicar para o que servia. Quando disse que era uma bomba todo mundo se assustou. E, passado o mal-entendido, o prefeito Vermellion perguntou a Maria José Cardoso se poderia ir a um ´drugstore´ e tomar sorvete com ´aquilo´. Naturalmente, não teve resposta. E a confusão só se desfez quando os jornalistas brasileiros, os autores desta reportagem inclusive, puderam se fazer ouvir do lugar onde se encontravam. Todos nós gritamos para Maria José: A cup of tea, tea, tea! Finalmente, o animador, Bob Russel, entendeu ou se fez de entendido, explicou ao prefeito e ao público como pode, e Miss Brasil retirou-se, debaixo de muitos aplausos.

 

EXTRATO DA MATERIA DE CARLOS GASPAR (O CRUZEIRO, nº42, Ano XXVIII)

A repercussão: O público (4.200 pessoas) que lotou o Municipal Au­ditorium de Long Beach, na noite da eleição (revelando-se educadíssimo), aplaudiu entusiasticamente o julgamento, como antes batera palmas para todas as candidatas, sem exceção, durante o desfile. Atrás do palco, porém, o ambiente estava multo longe de ser alegre. Divulgado os nomes das finalistas, vi quando a loura Miss França, cujo maior sonho na vida era ser artista de Hollywood, foi levada para camarim, presa de uma crise nervosa. Entre as latino-americanas, a revolta era geral.

Elas se congregaram, como se fossem originárias de um mesmo país, como se fossem irmãs até, para verberar o resultado. Consideravam-no desconsideração para com a América Latina. Assim pensavam Miss Brasil, Miss Cuba, Miss Peru. Fizeram uma pequena (sem conseqüências) algazarra nos bastidores. Não estavam tristes, estavam mesmo revoltadas. A bela Ileana Carré, Miss Argentina, muito divertida, disse em meio à catástrofe:

- Yo quiero un whisky! Hoy voy a emborracharme!

Divulgado o resultado final, proclamada Mias Universo a representante do. Estados Unidos, a revolta passou para as demais finalistas.

Miss Alemanha ficou furiosa. Não quero saber de contratos, não quero saber de mais nada; aqui só me interessava o titulo de Mis. Universo. Vou voltar imediatamente para Berlim - disse. Miss Itália também não escondia sua decepção: estava certa de que seria a vitoriosa. A inglesa confirmou a tradicional fleuma de seu povo. E a sueca chorou.

Por que Mim Brasil perdeu -  Não vamos pretender explicar aqui, por que a representante do nosso País não figurou entre as finalistas, já que essa seleção, como dissemos, provocou justa revolta. A verdade, porém, é que mais uma vez o Brasil não pode levantar o título de Miss Universo. Por quê? Diga-se de início que a gaúcha de cabelos pretos, olho azuis, Maria José Cardoso, representou muito bem o nosso país neste concurso, não sé pela sua própria beleza, mas também pela simpatia e pela naturalidade. Entretanto, ela não deixou de ser, em nenhum momento, a moça simples e de vida moderada que sempre fora, muito antes de pensar em concursos de beleza. E essa conduta, pos todos os titulo, louvável, foi paradoxalmente a sua desdita, em Long Beach. Por não cortejar a publicidade, foi de todas as candidatas uma das menos fotografadas (além das de conjunto, só vi uma foto sua nos jornais americanos). Por não falar inglês, não se fez entender pelo público e assim perdeu os aplausos que a sua personalidade merecia. Por ser um tanto tímida, atrapalhou-se um pouco na hora do pequeno discurso que deveria pronunciar perante o júri (Nunca fiquei tão nervosa em minha vida) e não disse exatamente o que pretendia dizer (Bob Russel, mestre de cerimônias, servia-lhe de intérprete, apesar de ruim). Mas afinal de contas, representou muito bem o Brasil, como já afirmamos, e manteve a tradição das candidatas do nosso país: serem incluídas pelo menos entre as quinzes finalistas. Maria José não chorou, não se decepcionou, apenas revoltou-se (moderadamente) contra a exclusão das candidatas latino-americanas.

Alberto Varga, o criador das Varga Girls e um dos mais autorizados membros do júri, elogiou muito a nossa candidata. E, revelando o desejo de visitar o nosso país (esteve no Rio em 1909), disse que a próxima Miss Brasil, capaz de conquistar o título de Miss Universo, deve ser uma ´composição entre Martha Rocha e Maria José Cardoso´ (sic). Não deve jamais acrescentou -pretender seguir o tipo de uma artista famosa, mas ser ela mesma, ser natural´. Positivamente, os demais juizes não pensaram o mesmo, ao dar o segundo lugar a Miss Alemanha.

Mas, enfim, terminou mais um concurso mundial da beleza. E, fora os pequenos incidentes aqui registrados, terminou como terminam todos: entre lágrimas e sorrisos.
































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